Mas é que sem querer, da página arrancada, restou um pedaço teu. Samia Oliveira, 18, Paulicéia Desvairada, terra de ninguém.

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Aquele samba, Samia,

anjoinverso:

que começa quando a gente fecha os olhos como prece e sente o corpo ceder, cair de costas sem medo. Rendição. Quando sobem as notas e a pele se entrega, a vista cansada se fecha, o pé calejado te dança. Um passo para a esquerda, outro para a direita, os quadris suaves, ergue os braços e enterra os…

“Eu sei que a gente não anda acreditando em muito, não pondo fé em tudo, não colhendo flor ou abrindo garrafas de vinho para esquecer.” Bateu saudades de te ler, Clau. anjoinverso dai vim aqui e lembrei desse texto que me enche o peito.
7 Notes
"

Um grito pronto pra saltar
Das paredes da garganta
Corte seco pro seu olhar

Os olhos sem pestanejar
As pupilas dilatadas
Quase nada a declarar
Chaleira já vai apitar

Tudo nesse tempo morto
A qualquer momento pode
Acontecer

Pode pegar fogo nesse
Apartamento
De ressentimento pode o chão
Se abrir

Dentro desse tempo morto
A qualquer momento pode
Amanhecer

Poderá o sol que entrar dissipar
Névoa de rancor?

Torneira não para de pingar
O cachorro ergue as orelhas
Um silêncio ensurdecedor

Nem alma se vê do quinto andar
Treme a perna sob a mesa
A comida vai esfriar
Um ano ou dois – se não for mais

Tudo nesse tempo morto
A qualquer momento pode
Acontecer

Pode pegar fogo nesse
Apartamento
De ressentimento pode o chão
Se abrir

Dentro desse tempo morto
A qualquer momento pode
Amanhecer

Poderá o sol que entrar dissipar
Névoa de rancor?

Ou como se reinventar sem ficar
Preso ao pavor?

Ou que condução pegar de manhã
Se tudo acabou?

"

―5 a Seco - Tempo Morto
0 Notes
Eu espero o teu erro aparecer
Para que os meus não apareçam

Eu espero tuas mentiras serem contadas
Para que eu fuja
Como desculpa
Pro meu medo de mergulhar na coisas

Eu quero uma companhia pros dias nublados
Mas não sei me dar
Nem me doar por inteiro
Nem metade
Nem um terço

Eu não sei receber o que tens a oferecer
Mas ainda assim, eu gosto de um afago no peito
Que me cure do tédio
E desses dias doídos
Que findam
E pingam
 P
  I
  N
   G
    A
     M

Como ácido corroendo minha carne
Numa confortável queda livre

Mas ah!
Esses dias nublados são efêmeros
E o silêncio é tão amigo
A solidão é tão mais acolhedora que uma outra pessoa, 
Cheia de vícios e manias
Dessas estranhices, já bastam as minhas.

Eu espero o teu erro aparecer
Para que os meus não apareçam

Eu espero tuas mentiras serem contadas
Para que eu fuja
Como desculpa
Pro meu medo de mergulhar na coisas

Eu quero uma companhia pros dias nublados
Mas não sei me dar
Nem me doar por inteiro
Nem metade
Nem um terço

Eu não sei receber o que tens a oferecer
Mas ainda assim, eu gosto de um afago no peito
Que me cure do tédio
E desses dias doídos
Que findam
E pingam
P
I
N
G
A
M

Como ácido corroendo minha carne
Numa confortável queda livre

Mas ah!
Esses dias nublados são efêmeros
E o silêncio é tão amigo
A solidão é tão mais acolhedora que uma outra pessoa,
Cheia de vícios e manias
Dessas estranhices, já bastam as minhas.

Get on your dancing shoes, my broken soul

Paro
Porque me cansam os joelhos
Porque os pesos dos erros
Pesam
Em excesso
E minha alma caleja

Porque errar me reflete num dos espelhos mais límpidos
Revelando-me todas as falhas, já velhas conhecidas.

O medo se ergue como uma parede de ferro,
Não dou um passo sem antes mirabolar um turbilhão de previsões do que pode vir virando a esquina e a avenida
Das dores, dos desamores

E o passo que cai no abismo do mundo
É difícil de dar
Então me pego imaginando o que há do lado de lá.
Lá onde a gente ri sem pensar no dente faltando,
Na ruga que curva no canto do olho

Lá onde as moças convidam os rapazes pra dançar
E dançam sozinhas se precisar.

Deviam todas as células
E todos os átomos do meu corpo
Entenderem que o pior pecado cometido
É não colocar os sapatos de dança
Com medo de errar a sincronia dos passos

Devia meu coração amar o próprio andar torto
E não só ver beleza no desajuste dos outros.

0 Notes

jhnmyr:

John Mayer/Steve Jordan/Pino Palladino/Chick Corea/Wallace Roney

Here’s a full seven minute tune I loosely composed called “Little Sur,” recorded last February in New York City. I got together with some of my friends and favorite players for six amazing days of playing music with no rules, no plans, and no pressure. Oh, and no vocals. What came from it was a really inspired batch of recordings. Hours of music that I’ll need to sift through at some point should it ever become an album. (I hope it does.) If you’re wondering where I am in the mix, that’s me playing a Music Man long scale guitar… Pino and I are kind of both living in the bass space. As soon as Chick came in on the piano, I knew something really deep was taking place.  This is the rough mix that was given to me at the end of the day, as it has lived on my laptop since.

I tried to find a minute, two minute clip to share with you, but these recordings just don’t work any other way than in their unabridged form. So here it is. Free music. Played freely, shared freely. Put it on and go for the ride… If you dig all seven minutes, then surely you deserve them. 

There are times for marketing strategies, and there are times for just  p l a y i n g. The original design for all musicians.  Hope you enjoy hearing this as much as I did. 

John 

jhnmyr:

I for one dig the hell out of the hat.

jhnmyr:

I for one dig the hell out of the hat.

jhnmyr:

Aaron Paul, New York City

jhnmyr:

Aaron Paul, New York City

Sou
Uma estrangeira
Uma forasteira

Perdida
Do mundo

Vazia
De mim

Não sei
Em qual esquina
Esqueci minha
Alma
Pesada

Não sei
Em que copo
Deixei minhas
Mágoas

Tudo que restou
Foi nada

Libido
Sabor
Nada mais
Tem cor

O mundo anda
Num preto e branco
Melancólico
Sem significado

Nada de noir
Nada de poeta
Nada de dor
Ou boêmia

Um banho morno
Uma vida rasa
Um olhar silencioso
Uma cabeça sem pensamentos

As cirandas giram
Os bares riem
As festas gritam
E eu
Fico parada
Assistindo ao espetáculo
Da vida
O qual nunca serei protagonista

1 Notes
As a songwriter, this is an evil question to think of...but what song are you most proud of and what is your least favourite song?

jhnmyr:

I’m most proud of Stop This Train, and my least favorite? I wish War of My Life on the Battle Studies album had turned out better. I loved that seed of an idea and I don’t think it bloomed the way I wanted it to. But that’s how it goes. They all seem amazing on their way out the door…

The most beautiful song in the world: Stop this Train

974 Notes
Quem dera eu ser poeta

O poeta traduz no papel aquilo que nem sempre sentiu no calor da pele ou no arrepio da espinha. Às vezes, toma a dor do outro. Às vezes, apenas a observa.
Descreve o que nem todos viram. Por falta de vista ou de visão?
Se vê refletido nos olhos dos esquecidos, dos amargurados. Ouve o grito preso na garganta, o choro engolido pela criança.
Há quem diga que o poeta escreve o soldado em guerra sem nunca ter sentido a dor da batalha. A falta de uma perna ou dum pedaço d’alma. Há quem diga também que se posiciona no pedestal dos burgueses, na tentativa de enxergar à distância. Mas o poeta prefere se esgueirar nas conversas alheias a se manchar com o bom burguês.
Tem apreço até pelas sarjetas escuras, pela risada angustiada dos bêbados, pela malícia das putas. Mas aquele tipo hipócrita, aquele tipo colonizador do outro lhe enche a boca de água em meio a ânsia e repulsa.
Quando sujeito de sua própria arte, sangra suas dores e abre sua carne no avesso das entranhas. Quem dera eu ser poeta e rasgar meu peito com a beleza das palavras.
Quem dera eu ser poeta e me doar à gramática.

Ah! Quem dera eu ser poeta.

0 Notes
"Meu silêncio é o riso que ninguém ouve. É o choro que ninguém sente. É o amor que ninguém toma. E todas as coisas despercebidas. Meu silêncio é a paz de saber que tudo segue comigo ou, e principalmente, sem mim. Essa desnecessidade é o que me deixa livre à minha loucura. Não espere que eu volte à sanidade depois de provar a liberdade do ataque ou do coma."
―Claudia Calado (via anjoinverso)
6785 Notes

Ainda pode se lembrar? Faz tanto tempo que se esconde no seu próprio mundo inventado que nem consigo imaginar você se atrevendo a olhar pela janela – seria tentador demais.  Faz tanto tempo que você já deve ter se esquecido. Se por um acaso houver uma rachadura no seu lobo temporal, onde ficam suas memórias mais devastadoras, de épocas distantes, você irá saber.

Procure nas sessões dos momentos mais simples. Como quando você está no cômodo da casa mais distante do telefone e corre para atendê-lo, mas no último ringue, ele para. Poderia ser telemarketing. Poderia ser um amigo te chamando para sair. Poderia ser um parente para contar do tio que sofreu um infarto e morreu. Ou poderia ser aquela pessoa que você não vê há tempos, que sentiu saudades e resolveu ligar para saber como as coisas vão; se você tirou aquela foto da lua, se você aprendeu a tocar violão ou só enrolou e desistiu. Se você curou aquela mania de fazer tudo ao mesmo tempo, se leu aquele livro, se viu aquele filme. Mas você não disse nada disso, não contou que agora tem um cachorro e que comprou móveis novos para sala de estar.  Também não ouviu aqueles silêncios ensurdecedores que reinam quando o assunto acaba e deixam entrar aquela pontada de dor nostálgica do que já foi e não volta mais. Consegue ouvir? O tempo se esvaindo como um sussurro antigo?

Ou procure pelas sessões mais obscuras, nos subterfúgios úmidos, onde lágrimas quentes se tornaram gotas de chuvas frias e finas. Como lâminas atravessando lentamente a pele. Creio que encontrou suas lembranças. E temo por você, porque posso ouvir o som distante do aço rompendo todos os ligamentos que lhe prendiam ao mundo que construiu. Agora você foi arrastada para a vida real e ela não é tão bela como um filme noir, não há escapatória.

Você tentou demais viver paralela ao tempo, mas reforçar essa fuga dos relógios é triste. Porque você só pode se esconder, fingir que os dias não passaram pesarosamente, se esconder e adiar a dor. E quando ele te encontrar e te acertar como um golpe no espelho onde você não é mais você, é outra – outra e nem percebeu; uma estranha no reflexo que não viu as mudanças que vieram de dentro e de fora. E do mundo ao redor. E da vida que fluiu e não te chamou porque estava ocupada demais alimentando a esperança de poder escapar das batidas dos ponteiros.  Mas ninguém pode, criança. Ninguém pode passar por debaixo dos olhos do tempo, é quase uma presença, só não é uma personificação porque passa por entre a gente, e nem se quer notamos. Mas ele tudo vê e quando te golpear em cheio, a dor será um banho de sangue que pintaria todo o globo de vermelho carmim.

A cada segundo uma célula morre, solidificando o inevitável.
A cada piscar de olhos, um encontro perdido. A cada pulsar do miocárdio, um segundo a menos. Um segundo a menos que atrasa o momento seguinte. Agora você está atrasada demais para um telefonema  ou perdeu o olhar que talvez lhe daria tudo o que  não lembrou de procurar: algo  que fizesse todos os segundos perdidos valerem a pena  no instante que se visse – não no reflexo de um espelho – mas num reflexo de uma outra alma. 

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